Decorreu, no passado dia 29 de janeiro, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a primeira edição de 2026 do Ciclo de Conferências Horizontes de Futuro, dedicada ao tema “Pensamento Disruptivo e a Nova Ordem Mundial”, numa iniciativa promovida pelo Centro Nacional de Inovação Jurídica (CNIJ), com o apoio da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e do Município de Bragança.
A conferência constituiu um espaço de reflexão estratégica e interdisciplinar sobre as profundas transformações que marcaram a ordem internacional contemporânea, tendo sido analisadas as principais dinâmicas geopolíticas, económicas, tecnológicas e de segurança que redefiniram o equilíbrio global de poder.
Entre os temas abordados, destacou-se o papel dos Estados Unidos da América no atual contexto internacional, numa fase de reajustamento estratégico das suas prioridades externas, bem como os impactos dessa reconfiguração nas alianças tradicionais e na governação global. Foi igualmente analisada a crescente complexidade do cenário africano, com especial enfoque nos conflitos armados persistentes, nas fragilidades institucionais, nas disputas por recursos estratégicos e no papel das potências externas no continente africano.
O conflito na Ucrânia assumiu particular relevo no debate, tendo sido enquadrado enquanto fator estruturante da nova ordem mundial, com implicações diretas na segurança europeia, no direito internacional, na política energética e na redefinição das relações entre blocos geopolíticos. A guerra foi discutida não apenas na sua dimensão militar, mas também nos seus efeitos económicos, sociais e jurídicos à escala global.
A conferência abordou ainda o impacto crescente da Inteligência Artificial e das novas tecnologias no contexto internacional, sublinhando-se os desafios éticos, jurídicos e regulatórios associados ao seu uso, tanto em contextos civis como militares. A IA foi analisada como um elemento disruptivo com potencial para transformar os modelos tradicionais de governação, de tomada de decisão e de exercício do poder.
O painel contou com as intervenções de Adolfo Mesquita Nunes, Francisco Paupério, Eduardo Vera-Cruz Pinto e Joana Zagury, que trouxeram perspetivas complementares e críticas sobre a nova ordem global em construção, enriquecendo o debate com abordagens provenientes do direito, da política, da economia e das relações internacionais. A moderação esteve a cargo de Hélder de Sousa Semedo, Coordenador Adjunto do Centro Nacional de Inovação Jurídica.
A sessão registou uma participação de estudantes, académicos e profissionais, confirmando o interesse e a atualidade dos temas em discussão e reforçando o papel do Ciclo de Conferências Horizontes de Futuro enquanto fórum qualificado de pensamento estratégico, dedicado à compreensão dos grandes desafios que moldaram — e continuam a moldar — o futuro do mundo.


